2013 – Tilo – Bedeseme Magazine #31

Home Fóruns Lacrimosa e Notícias 2013 – Tilo – Bedeseme Magazine #31

Marcado: ,

Visualizando 0 resposta da discussão
  • Autor
    Posts
    • #3059

      Entrevista com Tilo Wolff
      Fonte: Bedeseme Magazine #31 (2013)
      Tradução: Rodrigo Santromipo

      Ao longo de toda a turnê Revolution vocês tocaram todas as músicas do novo álbum, exceto This is the Night. Existe algum motivo específico para isso?

      Tilo Wolff: Que pergunta difícil para começar a entrevista! Mas você tem toda a razão, esta é a única música do Revolution que não tocamos nesta turnê. Bem, junto com Verloren ela não deveria ser tocada nesta turnê, mas depois dos shows europeus decidi pelo menos adicionar Verloren ao setlist. Se eu tivesse incluído This is the Night também, haveria muita ênfase no novo álbum, já que eu queria apresentar o Lacrimosa em geral e não apenas o novo álbum. Além disso, essa música precisa de mais espaço por si só. Então, o momento dela ainda está por vir.

      Em janeiro passado vocês fizeram uma turnê na Espanha, e já estiveram aqui antes. O que vocês acham do público e dos espanhóis?

      Tilo Wolff: Para ser honesto eu gostaria de tocar com muito mais frequência na Espanha. Eu amo a comida, amo a cultura forte e atmosférica, a arquitetura e claro, amo as pessoas tão apaixonadas e entusiasmadas! Portanto, é uma pena que não possamos vir à Espanha com mais frequência!

      Os últimos shows da turnê Revolution foram na Argentina em abril passado. Agora que a turnê acabou como você se sente a respeito? Como você resumiria tudo o que vivenciou e sentiu durante ela?

      Tilo Wolff: Bem, na verdade ainda não acabou completamente. Tínhamos mais um festival na Alemanha e outro na Polônia pela frente. Mas de qualquer forma essa turnê foi extraordinária e ás vezes eu desejava que nunca tivesse terminado. Tantas pessoas que conhecemos, tantos países que vimos e tantos momentos inesquecíveis que vivemos.

      Antes do início da turnê mundial a formação do Lacrimosa mudou. Manne Uhlig saiu e um novo baterista, Julien Schmidt entrou. Como aconteceu essa mudança? Você está feliz com a mudança?

      Tilo Wolff: A formação do Lacrimosa sempre muda de vez em quando para destacar diferentes aspectos da música. Julien está mais próximo da bateria dos nossos álbuns de 10 à 15 anos atrás, o que foi importante para mim nessa turnê, já que Revolution é muito mais direto do que os álbuns do passado mais recente. Com essa bateria mais “old school” do Lacrimosa, eu queria construir a ponte entre o agora e o passado.

      Se cada álbum do Lacrimosa é uma pequena parte de uma história conceitual completa, e você tivesse a possibilidade de dirigir um filme sobre toda a história, você acha que faria isso? Nesse caso, você acha que poderia expressar com um enredo o que você já expressou através de suas letras?

      Tilo Wolff: Boa pergunta! Seria definitivamente um projeto muito interessante. E sim, acho que tentaria fazê-lo porque a combinação de música, imagens, e fala poderia dar possibilidades de mostrar diferentes facetas das emoções incorporadas. Por outro lado, seria perigoso porque cada um tem sua imaginação e interpretação, e sobrepor essas com novas imagens ou uma história inteira poderia colidir com muitas interpretações já consolidadas do passado.

      Você já considerou a possibilidade de fazer uma turnê como Snakeskin?

      Tilo Wolff: Sim, muitas vezes, mas até agora não encontro tempo suficiente para fazer tudo o que poderíamos para o Lacrimosa, então não sei se algum dia conseguirei fazer isso com o Snakeskin.

      Qual é a sua música favorita do Lacrimosa no momento?

      Tilo Wolff: É realmente impossível dizer, porque depende do humor. As vezes prefiro os momentos mais emocionais e tranquilos, e as vezes a franqueza e a objetividade de algumas músicas. Claro, as novas músicas têm um foco mais pessoal, porque são mais frescas para mim no momento, mas depois do próximo álbum, elas também se alinham com as chamadas ‘músicas antigas’, e dentre elas não consigo escolher nenhuma favorita. Todas são minhas amadas filhas!

      Quando você escreve uma nova música, você a nomeia depois de escrevê-la ou ja tem o titulo quando começa a desenvolver o conceito da música?

      Tilo Wolff: Isso depende da força do conteúdo lírico. Se eu tenho uma letra escrita completamente e só então começo a compor a música em torno dela, a música recebe o titulo da letra. Se eu só tenho algumas palavras, um clima e então começo a escrever a música junto com a letra, o título às vezes só aparece quando quase tudo já está pronto.

      Cada um dos seus shows é apresentado pela introdução do álbum inferno. Qual é o motivo? Como você se sente em relação a essa música?

      Tilo Wolff: Na verdade, escrevi essa introdução para a turnê Satura e a usei pela primeira vez durante essa turnê. Depois de voltar, ela era tão querida para mim que não resisti em lançá-la no álbum Inferno. Então, não a uso por causa de sua conexão com este álbum em particular, mas por causa de sua atmosfera, pois se encaixa muito bem e ainda me emociona quando a ouço nos bastidores antes de entrar no palco. Eu não poderia imaginar fazer um show do LACRIMOSA sem começar com essa introdução! É o hino do Lacrimosa.

      Você já tocou várias vezes no Wave Gotik Treffen. Poderia nos contar algumas impressões, focando nas diferenças entre a primeira vez que você tocou lá em 1993, e a última há algumas semanas?

      Tilo Wolff: Bem, a primeira vez, claro, foi bem diferente porque as pessoas não conheciam muito bem o Lacrimosa e eu não conhecia as pessoas, além de ser muito, muito tímido. Ao contrário de muitos músicos, subir ao palco não era algo com que eu sempre sonhei. Naquela época eu preferia o trabalho de estúdio, e esse foi o motivo pelo qual levei três anos depois de começar com o Lacrimosa para fazer meu primeiro show. Hoje em dia, me sinto muito conectado com o público e adoro refletir as diferentes facetas das músicas no palco e me comunicar com a plateia. Isso é algo muito bonito.

      A cena gótica evoluiu e mudou notavelmente ao longo dos últimos anos. Como você se sente agora em relação à cena? E como você se sente em relação às mudanças?

      Tilo Wolff: Por um lado tudo precisa se desenvolver para sobreviver. Se as coisas estagnarem, elas morrem. Então era importante que a cena evoluísse. Por outro lado, esse desenvolvimento não foi natural, foi guiado por intenções comerciais ocultas que entram em forte conflito com a ideia básica da cena. Isso leva ao fato de que agora enfrentamos uma cena que é mais uma cena de festa do que uma cena cultural, o que na minha opinião não é o melhor desenvolvimento.

      Se você fosse enviado para uma ilha deserta e pudesse levar apenas três coisas com você, quais três coisas você escolheria?

      Tilo Wolff: Uma bela dama, um bom vinho, e para qualquer tipo de reserva, um gênio da lâmpada.

      Você tem uma música com algumas frases em espanhol: Durch Nacht und Flut. Você sabe um pouco mais sobre o nosso idioma? E você conhece outras bandas que cantam em espanhol? Se sim, você gosta delas?

      Tilo Wolff: Infelizmente na escola não havia aulas de espanhol, então o pouco que sei aprendi visitando países de lingua espanhola, mas ao longo dos anos aprendi a entender um pouco. Só que não conheço nenhuma banda de canto espanhol da atualidade, mas gostaria de ouvir algumas.

      Você já se apresentou como DJ várias vezes em diversos países. Gostou da experiência? Acha que vai repeti-la?

      Tilo Wolff: Sim, é muito divertido! Gosto de viajar, gosto de conhecer pessoas, gosto de compartilhar música. Gostaria de repetir isso.

      Em alguns shows, com o conceito de “Revolução”, você contou uma pequena história usando metáforas sobre como o mundo e a sociedade seriam melhores se cada um de nós fizesse a sua pequena parte. Então, como você acha que você, como indivíduo, poderia começar?

      Tilo Wolff: Começa na minha vida pessoal. Na maneira como trato o meu entorno, as pessoas que encontro e como estabeleço prioridades. Por exemplo, tentando não me colocar sempre no centro, mas sim aqueles que me são queridos, ficando em segundo plano e estando presente quando necessário.

      No álbum Revolution, a música “Feuerzug” foi dividida em duas partes: uma peça instrumental, chamada “Interlude”, e a música “Feuerzug” propriamente dita. Qual foi o motivo para dividi-la em duas partes?

      Tilo Wolff: Quando ouço o álbum inteiro, prefiro ter esse tempo e atmosfera do Interlude antes de ser lançado na pulsante Feuerzug. Por outro lado, às vezes só quero curtir a Feuerzug e aí o Interlude seria um pouco demais, então dividi as duas músicas para ter essas duas opções.

      A introdução da música “This is the Night” é um pouco atípica. O que te levou a compô-la dessa forma? Você teve alguma inspiração específica para essa música?

      Tilo Wolff: Bem, esses versos me vieram à mente enquanto eu caminhava do lado de fora do hotel em Pequim, depois de tocar lá na noite anterior, enquanto tentava controlar as emoções que percorriam meu coração e minha mente. Simplesmente veio e eu não pude fazer nada contra.

      Para Revolution, você trabalhou com Mille Petrozza (da banda Kreator) e com Stefan Schwarzmann (do Accept); podemos esperar alguma colaboração com eles em projetos futuros?

      Tilo Wolff: Até agora não há planos de shows, mas como somos amigos, nunca se sabe o que pode acontecer.

      Na parte de trás da capa do álbum, há um arqueiro mirando no Arlequim. O que ele representa?

      Tilo Wolff: Ele representa aquelas pessoas que estão sempre me incomodando.

      O processo de criação deste álbum levou mais tempo do que o dos anteriores?

      Tilo Wolff: É difícil dizer porque escrevo e componho constantemente. Então, nunca sei quanto tempo um álbum levou se eu juntasse todo o tempo gasto nele. Mas, claro, esta foi uma grande produção em muitos estúdios diferentes em países diferentes.

Visualizando 0 resposta da discussão
  • Você deve fazer login para responder a este tópico.