2025 – Tilo – RESSONANCIA CRITICA – LAMENT TOUR NA ARGENTINA

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      RESSONANCIA CRITICA – ENTREVISTA COM TILO WOLFF – LAMENT TOUR NA ARGENTINA
      Tradução: Felipe RR Porto

      RESSONANCIA CRITICA: Olá, pessoal, e bem-vindos a este podcast. Estou feliz de dizer para vocês que temos um convidado muito especial. Ele é um dos melhores escritores de música, compositores, produtores e músicos de todos os tempos. Estamos falando de Tilo Wolff. Ele é o líder e mentor do Lacrimosa, uma das maiores bandas de Gothic Metal de todos os tempos e eles estão vindo para tocar seu primeiro show da tour aqui na Argentina e vão tocar seu novo álbum Lament. Então, Tilo, seja bem vindo e muito obrigado por tirar um tempo e obrigado por estar aqui dividindo este pequeno espaço conosco.

      TILO: Muito obrigado. Isto é muito gentil. Obrigado.

      RESSONANCIA CRITICA: Por favor, diga como você se sente agora ao olhar para trás, para as turnês anteriores, claro, e este novo álbum, Lament, que é a terceira parte de uma trilogia. Como é apresentar este álbum Ao Vivo, não apenas aqui, mas também no restante do mundo?

      TILO: Bem, claro que sempre é, por um lado, lindo sair em uma turnê com um novo álbum, por outro lado às vezes também é um pouco difícil ou triste, pois tocar o novo álbum leva muito tempo, claro, e nós temos muitas músicas que eu também amo tocar. Quero dizer, eu sempre quero tocar também as músicas antigas e refletir a história do Lacrimosa, então escolher as músicas foi um tanto difícil. Além disso, digamos, eu escrevi uma música nova depois que Lament saiu e eu quero, com certeza, levá-la ao palco. Será uma estreia tocar essa música nova, assim como será uma estreia tocar Lament na Argentina. Então, esse é o início da turnê e vocês terão as novas músicas do Lament. Claro que não o álbum inteiro, mas tocaremos bastante, e vocês ouvirão uma música inédita que ninguém nunca ouviu antes.

      RESSONANCIA CRITICA: Bom, você sabe que eu vi o anúncio quando vocês fizeram isso no Brasil, o anúncio da nova música, é claro. Essa música vai fazer parte de algum novo projeto, álbum ou algo assim? Você pode nos contar algo sobre isso?

      TILO: Agora tenho dois pensamentos sobre isso. Ainda não escolhi qual direção seguirei.

      RESSONANCIA CRITICA: Como eu disse antes, esta é a terceira parte de uma trilogia que começou em 2017 com Testimonium, e depois temos Leidenschaft, em 2021. E então temos este terceiro álbum, Lament. O que te inspirou a concluir este arco narrativo com Lament?

      TILO: Bem, é sempre assim, eu realmente não planejo as coisas. Quando eu comecei, por exemplo, quando comecei com Testimonium, eu não pensei que seria o conteúdo de um álbum de uma trilogia e que eu continuaria depois deste álbum, depois de Testimonium. Sempre, sabe, quando eu componho, a música meio que fala comigo. Eu sinto que é como, sabe… Quer dizer, nós, humanos, temos muitos sentidos que, na verdade, perdemos. Nós seríamos capazes de viver na natureza e sobreviver, mas não mais hoje em dia, porque perdemos todos os nossos sentidos (não todos, mas muitos). Por exemplo, quando as pessoas estão doentes, elas podem sentir que tipo de comida seria boa para elas, se elas apenas ouvirem a si mesmas e isso é um pouco parecido com a música. Escrever poemas, escrever letras, compor a música… Se você estiver em contato próximo consigo mesmo e se você entende a linguagem do seu lado interior, então você está em uma espécie de conversa, então você sente isso e é isso que sempre acontece quando eu componho. De alguma forma, eu sinto “ok, agora eu tenho que fazer isso”. Agora, por exemplo, depois de Testimonium, eu senti que ainda não tinha acabado e quando concluí, na verdade, Memoria, quando escrevi isso, eu soube “é isso! Essa é a parte final, agora a história encontrou seu fim”. Então, eu não consigo explicar por meio de um storyboard ou algo assim, é só que eu meio que sinto isso, e essa também é a razão pela qual eu disse agora, com uma nova música, eu tenho dois pensamentos em mente. Mas eu não fiz nenhum plano. Vou descobrir quando estiver no palco e tocarmos a música. Vou descobrir que a música vai falar comigo.

      RESONANCIA CRITICA: Você sabia que este álbum tem sido descrito como muito introspectivo e muito pessoal? E eu queria te perguntar: como você descreveria este álbum? Como suas experiências pessoais influenciaram os temas explorados em Lament?

      TILO: Bem, tudo o que escrevo é sempre uma espécie de espelho da minha alma e do que eu passo. Então, às vezes, pode haver até pequenas coisas, como qualquer conversa com alguém que me toque. Mas é claro, principalmente são as grandes coisas da vida e como todo esse tópico dos três álbuns é sobre a morte de pessoas importantes, incluindo meus próprios pais. Então isso, claro, influencia muito e, ao tentar lidar com todas as coisas que acontecem na vida, elas também vêm como se você abrisse novas portas e, de repente, se encontra em novos cômodos que você nem sabia que existiam e isso às vezes é lindo, às vezes doloroso, às vezes é apenas uma aventura. Então, portanto, também Lament, como todos os álbuns do Lacrimosa, eles nunca são como apenas um, como se você ouvisse o álbum inteiro, do começo ao fim, nem sempre é exatamente a mesma melodia, a mesma emoção, às vezes vai um pouco nessa direção, às vezes na outra, porque a vida é assim. Você provavelmente sabe disso, você se diverte muito com pessoas maravilhosas e então ouve uma notícia horrível que afeta sua vida ou a de alguém querido e o momento maravilhoso que você acabou de passar se transforma em algo realmente ruim e sombrio. Então é sempre um sobe e desce e, como não somos capazes de ver o futuro, na maioria das vezes, criamos tantos pensamentos sobre o que poderia acontecer, o que poderia ter sido ou o que poderia ser e então, na verdade, quase 99% do que você teme não vai acontecer, mas algo mais vai acontecer. Então, cada momento é uma aventura e eu tento viver a vida como uma aventura também quando há momentos que não me animam, mas faz parte desse tempo. Veja, por exemplo, a pandemia. Um momento horrível, mas não adiantava ficar sentado e dizendo: “É um momento horrível! É um momento horrível! É um momento tão horrível.” Quer dizer, isso não torna as coisas melhores, e nessa época também aprendemos que somos totalmente incapazes de qualquer coisa, porque os governos e todo mundo estavam nos dizendo o que fazer e, de repente, não havia mais liberdade no mundo. Então, não havia necessidade nem utilidade de reclamar, porque não podíamos mudar nada. Simplesmente podíamos encarar a situação e tirar o melhor dela para nós mesmos e para nossos entes queridos, e acho que quando levamos a vida assim e também a transformamos em arte, então ela nos devolve, nos traz algo de volta e você tem este belo produto final de uma bela arte.

      RESONANCIA CRITICA: Algo que eu realmente aprecio em você e nesta banda é que você pode fazer o que quiser, não importa o que aconteça, e isso é algo muito importante hoje em dia, porque essa liberdade é algo muito valioso hoje em dia, porque vivemos em um mundo onde não existe liberdade alguma. Então, fico muito feliz em saber que você tem esse tipo de liberdade para explorar e fazer o que quiser e tocar a música que ama e escrever o que estiver na sua mente, no seu coração e no seu espírito. Então, fico muito feliz em ver que você é uma alma livre.
      Este álbum tem recebido muitas críticas positivas, mas como você se sente em relação a essa recepção? Tipo, como tem sido a recepção até agora, na sua perspectiva?

      TILO: Estou totalmente lisonjeado e feliz porque, sabe, depois de tantos anos fazendo música, pode acontecer de você escrever uma música que ninguém mais goste, porque a questão é que eu nunca faço nenhum tipo de pesquisa. Eu componho no meu pequeno estúdio, primeiro para mim mesmo, depois olho as músicas e decido se vou lançá-las ou não, mas não há produtor, gravadora, empresário me dizendo “essa é uma boa música” ou “você precisa compor mais nessa direção para que as pessoas queiram ouvir isto”. Então, quando lanço algo, é 100% do que eu quero fazer, e se as pessoas dizem “Ah, eu gosto”, isso me deixa muito, muito feliz. Não consigo imaginar, realmente não consigo imaginar, todos aqueles músicos que fazem música que seus empresários e produtores mandam eles fazerem. Quer dizer, quando as pessoas chegam até eles e dizem “Ah! É um álbum tão bom!”, quer dizer, eles próprios nem gostam, então deve ser horrível. Então, fico muito feliz quando as pessoas gostam da minha música, porque é isso que eu quero fazer e compartilhar, e acho que as pessoas também sentem isso. Quer dizer, agora mesmo, no festival no Brasil dias atrás, era um festival de Metal, mas ainda assim, na nossa plateia, havia pessoas chorando. Em um festival de Metal, quero dizer, isso é algo realmente especial e lindo, e sou muito grato por isso.

      RESONANCIA CRITICA: Sabe, tem uma coisa que eu realmente quero saber, porque tem tanta banda vindo para a Argentina. Eles vêm fazer shows e, claro, nós somos muito apaixonados e eles sempre dizem que somos o melhor público do mundo, e eu não sei, nós sempre tentamos ficar mais perto dos artistas e conseguir que as nossas coisas sejam assinadas e, claro, eles tentam manter o foco e dizem “ok, vamos fazer isso, vamos tirar uma foto e vamos autografar essas coisas”, mas então eles dizem “não vou mais fazer isso porque eles não têm respeito nenhum”. E eu sei que, claro, para pessoas como você é algo muito desconfortável, por assim dizer, mas eu realmente quero saber se isso é algo que te incomoda ou não.

      TILO: Bem, quero dizer, eu faço isso há muitos e muitos anos. Viemos para a América Latina pela primeira vez em 1998. Lá, é claro, fiquei bastante surpreso com o entusiasmo e a reação das pessoas, e descobrimos no México, no Chile e também na Argentina coisas realmente malucas, é claro. Mas, como eu disse, estamos vindo para a América Latina há tantos anos, então sabemos o que esperar e, de alguma forma, eu amo essa liberdade de emoções, eu diria. Eu diria que é porque vocês não têm medo de demonstrar suas emoções. É disso que às vezes sinto falta na Europa, e talvez essa seja também a razão pela qual o Lacrimosa é tão amado na América Latina, porque as pessoas sentem que, na minha música, sou uma pessoa muito emotiva, assim como vocês, e é disso que às vezes sinto falta na Europa. As pessoas são, claro, educadas na maioria das vezes, mas às vezes educadas demais, e você sabe que existe uma fronteira. Eles são educados e escondem seus sentimentos, se seguram, se seguram e, de repente, todas as cordas estão estalando e então isso vem com uma força tão grande que você não espera e quando as pessoas, como na América Latina, são o tempo todo muito intensas e emocionais, não acontece nenhum acidente dessa forma, que de repente você cruza a fronteira e vai longe demais, porque você está sempre no mesmo caminho. Claro, há pessoas malucas em todos os lugares, mas até agora realmente tivemos uma experiência maravilhosa e acho que o público também, e especialmente na Argentina, entende que se trata de emoções, de mostrar emoções, de, claro, se reunir, ser um pouco maluco talvez, mas tivemos tantas situações, por exemplo, em frente ao hotel, onde as pessoas queriam autógrafos, fotos e tudo mais, e quando dissemos “agora OK, as coisas estão feitas e não podemos mais sair”, as pessoas respeitaram isso. Então é disso que estou falando. Isso é realmente maravilhoso e eles não cruzam a fronteira e há outros países – dos quais não direi os nomes – onde acontecem coisas que não são mais boas.

      RESONANCIA CRITICA: Devo dizer que acho você uma alma muito corajosa, pois fundou a Hall of Sermon nos primórdios da Lacrimosa. O que te motivou a dar um passo tão ousado em vez de assinar com uma gravadora estabelecida?

      TILO: Bem, dois momentos que quero destacar: o primeiro momento foi quando eu tinha meu primeiro álbum pronto e o enviei para várias gravadoras e a primeira gravadora, com quem eu realmente queria assinar, não existe mais hoje em dia, mas eles me responderam “sim, ótimo. É muito legal e nós amamos suas coisas. Mas você precisa tirar isso, você precisa mudar aquilo e nós conversamos ou decidimos sobre a capa e temos que falar sobre o nome Lacrimosa novamente” e eu pensei “o quê? Quer dizer, eu vim até você com essa música e agora você está me dizendo que sabe tudo melhor? Você não tem ideia do por que eu faço isso e não, isso eu não quero.” E então eu… Sim, então nasceu a ideia de fazer uma gravadora própria. O problema era que era no final dos anos 1980. Era 89 e não havia internet, não havia possibilidade de me informar sobre como criar uma gravadora, então levei um ano para descobrir como funcionava uma gravadora, na verdade, o que eu precisava fazer para lançar um LP. Eu queria ter um vinil. Mas, sabe, quando comecei a me dedicar e a descobrir as coisas, percebi que “não há mais volta. Agora é isso que eu quero fazer e não tenho mais o problema com esses caras me dizendo o que fazer”. E então, alguns anos depois, quando a Lacrimosa cresceu, surgiram, é claro, muitas gravadoras que queriam assinar, e eu tinha o álbum “Inferno”, e queria lançá-lo. E houve uma das gravadoras com a qual eu realmente pensei “Ok. Essa é uma das maiores gravadoras e vou assinar com ela, e então todo o meu estresse acabará e eu só preciso fazer música, não preciso mais trabalhar horas com gravadoras”. E então me disseram: “Escute, Tilo, você é um ótimo músico, mas este álbum… o que você está apresentando aqui, você não pode lançar. Não vamos lançar porque é muito pesado para os fãs de Gótico, você vai perder sua base de fãs. E os caras do Metal não vão gostar porque é muito sombrio. Então, decida se quer fazer Gótico ou Metal. E sugerimos que você faça Gótico porque você tem sua base de fãs”. E eu disse “Ok. Foi a decisão certa ter minha própria gravadora. Não vou assinar.” Continuo trabalhando apenas com minha gravadora e, bem, “Inferno”, como você sabe, tem sua história hoje em dia. Teria sido um grande erro não lançá-lo. Então, sabe, eu sempre penso “oh, Deus, ainda preciso mexer com tanta papelada e por quê?” e quando converso com amigos músicos, você sabe, eu ligo pra eles e dizem “Estou na Tailândia agora, de férias.” Sim, ótimo. Estou sentado no meu escritório. E sempre que me lembro daquelas situações no começo, o que acabei de te contar, e agora eu sei “Ok. Vale a pena. Eu tenho minha gravadora, sento no escritório e trabalho por ela. Vale a pena.”

      RESONANCIA CRITICA: E precisamos falar sobre algo muito sensível para muitas pessoas: Plataformas digitais. Mas eu realmente preciso fazer esta pergunta. Tipo, com a ascensão das plataformas digitais e do streaming, como a Hall of Sermon se adaptou para alcançar o público de hoje?

      TILO: Bem, no começo, é claro, eu não era amigo disso. Quer dizer, já que eu estava fazendo discos, já que eu estava fazendo álbuns, muito antes de tudo isso começar. Muito antes do MP3 ser inventado, eu, é claro, não era amigo disso porque sou meio antiquado. Eu gosto do vinil, até aprendi a lidar com CDs hoje em dia. Eu também gosto de CDs, mas no começo, é claro, todo o compartilhamento de MP3 era um horror para mim e também, claro, financeiramente falando, porque eu vivo da música e, de repente, as pessoas não compravam mais os álbuns, o que, claro, mudou toda a minha vida. Então, diminuímos o tamanho do Hall of Sermon, paramos de lançar outras bandas, porque não era mais acessível. Eu tinha muitos, muitos trabalhadores que estavam trabalhando para o Hall of Sermon, todos eles eu tive que demití-los de seus empregos porque não era mais possível financiá-lo. E então eu, claro, percebi como a situação mudou com as plataformas de streaming profissionais e isso se tornou interessante novamente para nós, quando não havia mais troca ilegal de MP3s. Mas essas plataformas, como hoje em dia, quero dizer, claro, são dominadas pelo Spotify, antes do iTunes que é muito importante, que ainda existe, mas há muitos outros também hoje em dia, mas o Spotify é, claro, é o maior. O que eu acho muito interessante por um lado, para mim pessoalmente como amante da música, porque hoje em dia, claro, eu tenho todos os meus LPs e meus CDs, mas eu posso, se você me disser algo como “ouvir esta e aquela música desta e daquela banda”, eu posso fazer isso agora mesmo. Eu não preciso pedir o CD ou correr para uma loja de discos. Isso é maravilhoso, claro. Por outro lado, eles pagam muito pouco, claro. Quer dizer, você não pode mais viver disso. Felizmente, o Lacrimosa tem uma grande base de fãs, e temos shows, merchandising e tudo mais, então ainda funciona, mas muitos dos meus amigos que viviam da música não têm mais chance e muitos desistem. Alguns estão bem, trabalhando durante o dia e depois à noite tentando fazer música. É muito difícil. Então, tem seus pontos positivos. Como eu disse, como consumidor de música é ótimo, e eu também sou um consumidor de música. Eu adoro. Mas como produtor musical é bem difícil, mas é muito melhor do que era nos anos 2000, quando havia compartilhamento ilegal de arquivos. Então, tento tirar o melhor proveito da situação atual.

      RESONANCIA CRÍTICA: Como você equilibra o lado comercial de administrar uma gravadora com os aspectos emocionais e artísticos de fazer música?

      TILO: Em primeiro lugar, é muito importante ter diferentes espaços físicos onde trabalhar. Eu tenho meu estúdio. Agora estou no meu escritório. Meu estúdio é em outro lugar. Não é bom combiná-los. Quando estou no meu estúdio, estou fazendo música. Não penso no meu escritório, não penso na Hall of Sermon. Eu sigo essa paixão e esse amor pela música. Quando estou aqui no escritório, às vezes odeio esse ‘Tilo do estúdio’, porque sei que nem tudo o que eu faço será fácil de levar para as pessoas. Então, é claro, faço isso há muitos anos e aprendi a lidar com isso, mas às vezes parece um pouco esquizofrênico, porque o músico, ele é o chefe, ele está tocando música novamente, mas eu, como uma pessoa da indústria fonográfica, às vezes gostaria que o músico pensasse mais comercialmente. Mas sim, eu realmente mantenho isso separado.

      RESONANCIA CRÍTICA: Agora, olhando para o passado, você acha que a fundação da Hall of Sermon deu à Lacrimosa um tipo de longevidade que talvez não fosse possível com o selo tradicional?

      TILO: Com certeza. Teria sido absolutamente impossível, começando pela língua. Quer dizer, quando comecei, quase nenhuma banda cantava em alemão. Foi o que ouvi muitas e muitas vezes: “Você precisa cantar em inglês. Não funciona em alemão”. Todas essas coisas que teriam sido impossíveis. Ou as capas pintadas em preto e branco. Quer dizer, ainda me lembro quando os caras das gravadoras me disseram “isso é tão antiquado. Sabe, nos anos 80 eles faziam isso”. Você sabe, capas pintadas. Bem, quer dizer, você provavelmente pensou no Iron Maiden. Eu também, porque adoro o Iron Maiden. Então, estou absolutamente convencido de que a Lacrimosa não existiria mais se eu tivesse assinado com algum lugar. Claro, fiz algumas colaborações com outras gravadoras, o que significa que eu tinha um produto finalizado e então fiz uma licença para a gravadora, então a gravadora para a qual eu fiz uma licença não tem mais o direito de mudar nada. É apenas uma espécie de reprodução do que eu dou. Às vezes, eu fazia isso por falta de dinheiro. Quando não tinha dinheiro suficiente para fabricar o produto, eu dava a licença para outra gravadora, que era maior e tinha mais dinheiro. É um truque financeiro que eu faço, e ambos ficam felizes no final, mas eu não conseguia assinar com outra gravadora. Quer dizer, eu me lembro, mesmo quando começamos a ter álbuns nas paradas, a Sony Music veio até mim e quis fazer um acordo conosco. Houve algumas conversas e, no final, dissemos “Ok. Façam a distribuição”. Eles não ficaram muito felizes porque queriam ter a Lacrimosa em seu catálogo, mas isso foi um acordo. Eles disseram “Ok. Então nós fazemos a distribuição”. E eu fiquei feliz, claro, porque ter uma grande gravadora fazendo a distribuição também era bom, mas também tivemos problemas, porque quando começaram as plataformas, as plataformas de streaming, no começo tivemos problemas e percebi que precisava ter tudo em minhas próprias mãos novamente, o que foi uma boa decisão. Agora, com o novo álbum, tivemos a maior entrada nas paradas que a Lacrimosa já teve, ou o melhor produto que a Lacrimosa já teve, e eu estava em nossa própria distribuição, então também foi a decisão certa.

      RESONANCIA CRÍTICA: E agora voltando à Argentina, porque vocês estão começando sua turnê mundial aqui na América Latina, em Buenos Aires, e, claro, eu sei que vocês tocaram no Brasil, foi um festival e tudo é diferente. O set list é diferente, o palco é diferente, tudo é diferente, a dinâmica é diferente. Então, o que vocês podem nos contar sobre esse primeiro show aqui na Argentina com seus fãs argentinos?

      TILO: Com certeza. Sim, claro, quero dizer, no Brasil, só tivemos 1 hora e 15 minutos. Claro que vamos tocar muito mais tempo na Argentina e sim, e é diferente . Sabe, começa já com a preparação, porque num festival você não tem muito tempo. Tínhamos meia hora para a transição, às vezes você só tem tipo 20 minutos. Iisso é claro, é totalmente diferente de quando você tem seu próprio show e onde você pode se preparar e ter tempo, e também para você subir no palco. Quer dizer, quando você sobe no palco de um festival, você nunca esteve lá antes. Você não sabe onde as coisas estão e isso é diferente, porque na Argentina podemos fazer uma passagem de som, já estivemos no palco antes do público entrar no local. Então, de qualquer forma, quero dizer, eu conheço este local, já tocamos lá algumas vezes antes. Então, estou ansioso para estar lá novamente, porque eu acho lindo. Então, sim, é totalmente diferente e, claro, quando você sobe no palco em sua própria turnê, você conhece as pessoas que estão lá, elas pagaram para ver sua banda, para ver exatamente isso. Em um festival, você nunca sabe quantas pessoas estão lá, porque elas, bem, tanto faz, elas estão lá com amigos e talvez não saibam o que fazer agora, porque não há outra banda tocando que as empolgue. Então, isso é, claro, algo totalmente diferente e te deixa também, como artista, pelo menos para mim, muito mais honrado porque eu conheço as pessoas, elas dedicaram seu tempo e gastaram seu dinheiro para ver sua banda e isso me deixa grato e honrado. E então, claro, é o primeiro show da turnê. É a primeira vez. Nós tocamos Avalon e Dark is this Night no Brasil, mas todas as outras músicas do novo álbum nós ainda não tocamos. Vamos tocar “Memoria”, por exemplo, que é uma das minhas favoritas do novo álbum, e, claro, “Lament”, a música-título. Então, tudo isso acontece neste show no dia 24 de Maio, quando estivermos na Argentina. Estou realmente ansioso por este show. Com certeza será um dos shows mais especiais de toda esta turnê, porque é o primeiro.

      RESONANCIA CRÍTICA: Sabe, o engraçado sobre a América Latina é que tem muita gente que não fala alemão, mas canta suas músicas em todos os shows. Eles cantam cada riff, cada melodia, e isso é algo que você pode encarar como algo certo, sabe? É algo muito poderoso que demonstra muito amor, dedicação, motivação e muitos, muitos outros sentimentos, mas é algo muito emocional, e eu sei que você sente o mesmo…

      TILO: Sim, isso é realmente um milagre. É incrível. Quer dizer, não conheço nenhuma outra banda que se compare a isso. É realmente maravilhoso e lindo, e ao longo dos anos sempre tive a sensação de que o Lacrimosa e a América Latina cresceram juntos…

      RESONANCIA CRÍTICA: Falando sobre esse show solo, seu primeiro show solo aqui, sabemos que você vai tocar essa nova música pela primeira vez, mas você tem alguma outra surpresa para nós?

      TILO: A questão é que, em primeiro lugar, quando se fala em surpresas não existem mais surpresas. Em segundo lugar, cada show do Lacrimosa é único, porque sempre tocamos. Não é uma peça de teatro, é música Ao Vivo. Então é sempre único e, sim, bem, haverá coisas que talvez sejam surpreendentes para alguns, horríveis para outros ou algo assim. Mas, bem, espere para veja.

      RESONANCIA CRÍTICA: E falando em shows, tenho uma pergunta muito importante e em nome de todos os fãs argentinos: vocês já pensaram em gravar um DVD Ao Vivo aqui na Argentina com o nosso público especial?

      TILO: Bem, o problema com DVDs é como na Europa. Temos tantas regulamentações hoje em dia quando queremos lançar um DVD. Na verdade, gravamos um DVD, não na Argentina, mas gravamos um DVD que eu não lancei agora, porque as regulamentações são muito rígidas e você tem que fazer tantas coisas, o que é totalmente insano. É realmente insano. Mas então o show na Argentina precisaria ser o último show, porque gravar o primeiro show nunca é uma boa ideia, porque há sempre coisas acontecendo no primeiro show.

      RESONANCIA CRÍTICA: Considerando a base de fãs apaixonados na Argentina, que mensagem você gostaria de transmitir a eles durante este show? Ou você tem alguma palavra para seus fãs argentinos?

      TILO: Bem, antes de mais nada, quero agradecer pela paciência, por esperarem tanto tempo por nós novamente. Quero agradecer pela lealdade que os fãs têm por nós. Quer dizer, eu sei quantas pessoas estão na Argentina ouvindo Lacrimosa e o quão apaixonadas elas são, e eu aprecio muito isso, porque eu amo muito a Argentina. Eu amo especialmente Buenos Aires. Passei muito tempo lá e andei pelas cidades e fico muito feliz por ser sempre convidado novamente, como agora que posso voltar. Tenho que admitir também que como muitos bifes, vou a muitas churrascarias argentinas na Europa, então é um prazer para mim estar na Argentina e saber que estou cercado por tantas pessoas maravilhosas. Então, muito obrigado pelo seu amor, sua lealdade e por nos convidar novamente, e estou ansioso para começar o show ou a turnê com vocês em Buenos Aires.

      RESONANCIA CRÍTICA: Bem, é isso por hoje. Eu realmente quero agradecer por terem dedicado seu tempo e por estarem aqui. Espero que nos encontremos no show e que as pessoas comprem esse Meet & Greet, e que seja uma experiência muito emocionante e poderosa para todos. Então, desejo a você tudo de bom e muito sucesso com este novo álbum e com esta nova turnê mundial.

      TILO: Bem, obrigado e estou ansioso para conhecê-lo pessoalmente.

      RESONANCIA CRÍTICA: Te vejo no show e obrigado novamente, Tilo. Tenha um ótimo dia.

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