Home › Fóruns › Lacrimosa e Notícias › 2019 – Tilo – Livro Glorious Black S1: Sobre Clamor e Angst
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24 de julho de 2023 às 13:25 #2750
Lacrimaniacos Fã Clube
MestreGlorious Black -Clamor e Angst
Orkus! Magazine 2019
Por: Claus Müller
Tradução: Yasmin Amarante______________________________
“… uma motivação para eu nunca mais compor de forma leviana.”
“Esse dia está repleto de lágrimas”, diz o hino medieval sobre o Juízo Final (Dies Irae), cujo cenário mais conhecido vem do Réquiem de Mozart. A lágrima é uma expressão de sentimentos. E estes, sem dúvida, transportam e conduzem o Lacrimosa desde o início. Repleto de medo (Angst), angústia (Sehnsucht) e esperança (Hoffnung), o Lacrimosa desperta as emoções mais profundas na alma de quem as recebe. E, portanto, dificilmente poderia haver um nome mais apropriado para o projeto de Tilo Wolff do que Lacrimosa. Hoje, com o próprio aqui presente, vamos voltar aos 30 anos de história de uma banda que originalmente não era para ser uma banda. Desejamos a ele e a vocês uma agradável viagem no tempo!
Tilo Wolff: Obrigado, estou curioso para saber aonde você vai me levar agora!
Orkus: De quais detalhes você se lembra sobre o momento em que percebeu que queria fazer música com o nome ‘Lacrimosa’?
TW: Houve um momento em que fiz a capa da minha primeira fita cassete sem computador, é claro – e estava procurando uma gravadora para trabalhar com o conteúdo dessa música e letra. Não quis colocar meu nome porque uma pessoa em si, com todas as suas facetas, não pode ser encontrada em uma única forma de expressão como a música, um romance ou uma pintura. Isso seria errado. Então, eu estava procurando um nome que pudesse descrever minha música, e já que eu estava ouvindo naquele momento o Requiem “Lacrimosa” de Mozart novamente, foi quase um instinto escrever a palavra na capa. Foi somente depois que percebi que esta era a última composição em vida de Mozart, o que me impressionou quanto a questão da retrospectiva que me causou, e ao mesmo tempo parecia um pouco presunçoso da minha parte colocar esse nome, mas talvez isso também tenha sido uma motivação para eu nunca mais compor de forma leviana.
O: Em 1990, a fita demo Clamor foi lançada. Quais músicas estavam nesta fita?
TW: O Clamor não era de início uma fita demo porque eu não queria demonstrar ou lançar algo inacabado para o mundo. Por isso precisei de mais de um ano para o financiamento e a realização das gravações. Tinha que ser perfeito porque presumi que seriam as únicas músicas que eu escreveria e gravaria. Originalmente eu não pretendia formar uma banda e nem ousava sonhar com isso. Eu só queria fazer este cassete e nada mais. E não me inspirei apenas no nome “Lacrimosa” de Mozart para o título, pois podemos ver também na demo a música intitulada Requiem, que mais tarde foi ouvida em uma versão idêntica no álbum Angst.
O: E quantas cópias existem?
TW: Apenas 100.
O: E como surgiam as músicas do Lacrimosa naquela época?
TW: De forma bem semelhante ao que ainda acontece hoje: escrevo constantemente aquilo que penso e sinto e muitas vezes isso tudo se desenvolve em uma espécie de poesia. Eu escrevo no papel e transfiro os sentimentos para um instrumento, geralmente o piano. Eu então toco uma partitura de palavras, por assim dizer, e as reproduzo musicalmente. É assim que minhas músicas surgem.
O: A decisão de fundar uma gravadora para lançar sua própria música provavelmente foi feita muito rapidamente. Que pensamentos contribuíram para que o selo se chamasse “Hall of Sermon”?
TW: Isso não foi tão rápido na época porque não havia internet e nenhuma literatura especializada disponível que pudesse me dizer o que fazer. Como você funda uma gravadora? O que é? O que ela faz e como se cria uma? Demorou mais de um ano até que eu lesse sobre uma certa quantidade de manuais em bibliotecas e encontrasse os fornecedores e canais de distribuição necessários. O nome “Hall of Sermon” foi inspirado no fato de que todas as informações coletadas, todos os contatos feitos e todas as ferramentas necessárias se reuniram em um só lugar – dentro de mim, por assim dizer, e a partir desse lugar eu agora poderia me comunicar com o mundo. Eu estava bem ciente de que minha produção seria de caráter modesto, então escolhi a palavra “sermão” em um piscar de olhos.
O: Em 1991 seu primeiro LP do álbum Angst foi lançado. Como surgiu a ideia para o tema da capa do álbum?
TW: Os mercados itinerantes de Natal retratados na capa transmitem alegria e segurança. São locais de convívio e descontração – provavelmente por isso que nos últimos anos se tornaram alvo de atentados terroristas, o que não acontecia até então – e justamente por serem locais de diversão e despreocupação para a maioria das pessoas, podem ser cheios de tristeza e medo para outras. E esta é a razão pela qual escolhi esse tema. (Medo)
O: O álbum abre com o título Seele in Not (Alma em Necessidade). Como você se sentiu quando escreveu essa música?
TW: A necessidade da alma! Acho que muitas pessoas têm sofrimentos psicológicos, mas não conseguem admitir isso, nem para si nem para os outros, e por isso tentam a vida inteira encobrir e compensar esse sofrimento, esse déficit. E isso afeta as pessoas de fora e também dentro da cena gótica. Naquela época, tentei enfrentar essa necessidade, levá-la a sério e trabalhar para combatê-la. Esse é um dos motivos para o título.
O: Qual (outra) música do álbum Angst ainda te afeta de forma muito intensa hoje?
TW: Todas! Cada título é uma página do livro da minha vida. Todas as canções são uma expressão do meu ser na forma do respectivo tempo em que foram criadas. Elas refletem o que eu senti e no que meu desenvolvimento futuro se baseia.
O: Há também um réquiem no álbum. Você imagina fazer um novamente, possivelmente mais amplo?
TW: A música Requiem, que está no álbum Angst, é um trabalho independente. Além disso, com o álbum Testimonium escrevi um réquiem livre e não convencional em vários atos, e posso muito bem imaginar compor um réquiem convencional baseado no modelo clássico, com coros e orquestra um dia. Algum dia…
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